A guerra entre Rússia e Ucrânia entra em uma nova fase de contradições e riscos. Enquanto Kiev demonstra abertura para negociações de paz, ataques com drones continuam atingindo Moscou, e o Kremlin eleva o tom ao prometer “destruir” estrangeiros que lutem ao lado da Ucrânia. Os acontecimentos recentes revelam um cenário em que diplomacia e ofensivas militares caminham lado a lado, sem sinais concretos de cessar-fogo.
Rússia promete eliminar combatentes estrangeiros
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que as forças russas têm identificado a presença de combatentes estrangeiros no campo de batalha ucraniano — e que esses “estrangeiros estão sendo destruídos”. Segundo ele, o exército russo frequentemente escuta idiomas como inglês e francês nas linhas de frente, o que seria prova de envolvimento direto de mercenários ocidentais.
A declaração reforça a narrativa russa de que a guerra é, na prática, um confronto entre Moscou e o Ocidente, e não apenas um conflito regional. Essa retórica tem sido usada para justificar a intensificação das operações militares e o endurecimento da política externa russa.
Zelenskiy fala em paz, mas sem concessões territoriais
Do outro lado, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy declarou que Kiev está pronta para iniciar conversas de paz, mas deixou claro que não aceitará ceder nenhum território ocupado pela Rússia.
Segundo ele, qualquer negociação deve ocorrer em países neutros — excluindo Rússia e Belarus — e com base no respeito à soberania ucraniana.
A fala de Zelenskiy busca sinalizar disposição diplomática sem demonstrar fraqueza, em um momento em que a Ucrânia tenta manter o apoio internacional diante da fadiga de guerra e de divisões crescentes dentro da União Europeia.
Moscou sob novo ataque com drones
Enquanto discursos diplomáticos ganham espaço, a ofensiva militar continua intensa. Na noite de segunda-feira (28), Moscou e regiões próximas voltaram a ser alvo de ataques com drones pelo segundo dia consecutivo.
O Ministério da Defesa russo informou ter abatido 17 drones — 13 na região de Kaluga, um em direção à capital e os demais em Bryansk. Apesar de não haver registro de grandes danos, os incidentes demonstram que a Ucrânia mantém a capacidade de atingir o coração do território russo, algo impensável nos primeiros meses da guerra.
Esses ataques têm forte peso simbólico, expondo a vulnerabilidade da defesa aérea russa e elevando o clima de tensão interna em Moscou.
Entre a diplomacia e a escalada
Os três episódios — a ameaça russa contra estrangeiros, a proposta de paz de Zelenskiy e os novos ataques com drones — ilustram a dualidade do momento atual da guerra: de um lado, sinais de que ambas as partes buscam reposicionar-se politicamente; de outro, a continuidade das ações militares de alta intensidade.
Enquanto Kiev tenta equilibrar pressão bélica e discurso diplomático, Moscou aposta na retórica de força e na ideia de que enfrenta uma coalizão ocidental.
Vídeo no canal: https://youtu.be/fmF48k-BUPI
