A guerra na Ucrânia entra em mais um capítulo sombrio com novos ataques russos que deixaram dezenas de milhares de pessoas sem energia elétrica nas regiões de Donetsk e Zaporizhzhia. A ofensiva, marcada pelo uso massivo de drones e mísseis, reforça a estratégia do Kremlin de enfraquecer a infraestrutura civil e testar os limites da resistência ucraniana às vésperas do inverno europeu.
Bombardeios em série e colapso energético
Segundo autoridades ucranianas, os ataques aéreos lançados entre sexta e sábado atingiram diretamente subestações e redes de energia na linha de frente, provocando apagões generalizados em Donetsk, uma das áreas mais afetadas pelos combates. Pelo menos duas pessoas morreram, e toda a região ficou sem fornecimento elétrico.
Em Zaporizhzhia, aproximadamente 60 mil moradores também foram afetados pelos danos à infraestrutura energética, com várias localidades reportando falta de aquecimento e interrupção nos serviços de comunicação.
Os ataques fazem parte de uma nova onda de ofensivas russas, que segundo o governo de Kiev, já contabilizam mais de 1.500 drones kamikaze, 1.170 bombas guiadas e 70 mísseis lançados apenas na última semana. A intensidade das operações mostra que Moscou intensificou seus esforços para paralisar o sistema energético ucraniano — um movimento semelhante ao ocorrido no inverno de 2022, quando milhões ficaram no escuro durante semanas.
A estratégia russa: enfraquecer o moral e o inverno como arma
Especialistas em segurança avaliam que a Rússia está usando o inverno como aliado estratégico, buscando não apenas o desgaste militar, mas também o colapso psicológico e logístico da população ucraniana. Ao atacar repetidamente redes de energia e aquecimento, Moscou tenta minar a capacidade de Kiev de sustentar suas operações militares e de manter os serviços básicos funcionando sob temperaturas extremas.
A situação é especialmente crítica em Donetsk, onde as linhas de frente permanecem ativas e o avanço russo sobre Pokrovsk ameaça cortar rotas logísticas essenciais para o exército ucraniano.
Risco humanitário cresce com o frio
Os contínuos apagões já estão afetando hospitais, escolas e abrigos civis. As autoridades locais pedem que os moradores racionem eletricidade e se preparem para possíveis interrupções prolongadas.
A estatal Ukrenergo informou que equipes de manutenção trabalham sob risco constante de novos ataques, tentando restabelecer o fornecimento em meio aos bombardeios.
A ONU e a União Europeia expressaram preocupação com o impacto humanitário da ofensiva, alertando que a destruição da infraestrutura civil essencial pode configurar crime de guerra segundo o direito internacional.
Um inverno decisivo
Com o frio se aproximando, a Ucrânia enfrenta uma das fases mais desafiadoras da guerra. A escalada dos ataques russos, o colapso energético e a pressão militar no leste indicam que o conflito entrou em uma fase de guerra total de desgaste.
Mais do que batalhas por território, o que está em jogo agora é a resistência física e psicológica de um país inteiro — determinado a manter as luzes acesas mesmo diante da escuridão imposta pela guerra.
Vídeo no canal: https://youtu.be/g8YoeRJHRc8
