A guerra entre Rússia e Ucrânia segue ganhando novos contornos, tanto no campo militar quanto na esfera diplomática. Em um intervalo de poucos dias, a região assistiu a uma sucessão de episódios que aumentaram o clima de instabilidade: ataques ucranianos com drones sobre Moscou, a promessa da Estônia de abater aviões russos, a recusa da Eslováquia em apoiar militarmente Kiev e a ordem de Volodymyr Zelenskiy para expandir as ofensivas de longo alcance contra a Rússia.
Ataque de drones força fechamento de aeroportos em Moscou
Na noite de sábado (26), um ataque em massa com drones ucranianos obrigou o fechamento temporário de dois dos principais aeroportos de Moscou: Domodedovo e Zhukovsky.
Segundo o Ministério da Defesa russo, cerca de 28 drones foram abatidos em poucas horas, enquanto o tráfego aéreo civil foi suspenso por precaução.
O incidente é mais um sinal da capacidade crescente da Ucrânia de atingir alvos dentro do território russo. Embora Moscou afirme ter neutralizado todas as aeronaves não tripuladas, o impacto psicológico e operacional é claro — a capital russa vem sofrendo ataques recorrentes que desafiam seu sistema de defesa aérea e demonstram a vulnerabilidade de sua infraestrutura.
Eslováquia rompe com plano europeu de apoio militar à Ucrânia
Enquanto os ataques se intensificam, o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, anunciou que o país não participará de nenhum esquema da União Europeia destinado a financiar as necessidades militares da Ucrânia.
Fico argumentou que o conflito não deve ser resolvido “no campo de batalha”, mas por meio de negociações diplomáticas, e criticou as sanções ocidentais contra a Rússia, alegando que elas “prejudicam mais a Europa do que Moscou”.
A decisão reforça as divisões internas dentro da União Europeia sobre o nível de envolvimento no conflito. Enquanto países como Polônia, Estônia e Alemanha pressionam por mais ajuda militar, outras nações do bloco começam a adotar uma postura mais cautelosa ou mesmo contrária ao prolongamento da guerra.
Estônia promete abater aviões russos que invadam seu espaço aéreo
Em resposta ao aumento de violações do espaço aéreo por aeronaves russas, o governo da Estônia declarou que está preparado para abater qualquer avião russo que ultrapasse sua fronteira aérea.
A declaração foi feita após uma série de incursões detectadas na região do Báltico, que tem se tornado uma das áreas mais sensíveis do confronto indireto entre a OTAN e Moscou.
O ministro das Relações Exteriores estoniano afirmou que o país “não tolerará provocações” e que a soberania nacional será defendida por todos os meios necessários. O posicionamento eleva o risco de incidentes militares diretos entre forças russas e membros da OTAN — um cenário que, até agora, vinha sendo evitado a todo custo.
Zelenskiy ordena expansão dos ataques de longo alcance contra a Rússia
Paralelamente, o presidente Volodymyr Zelenskiy ordenou a expansão dos ataques de longo alcance contra alvos estratégicos em território russo.
A decisão ocorre como resposta à continuidade da ofensiva russa e tem como objetivo pressionar Moscou militar e politicamente, forçando-a a redirecionar recursos para a defesa interna.
Fontes ucranianas afirmam que essa nova fase das operações busca atingir infraestruturas logísticas e bases de lançamento de mísseis em regiões próximas a Moscou, ampliando o raio de ação da resistência ucraniana. Essa estratégia, no entanto, aumenta o risco de retaliações diretas e de uma escalada mais ampla do conflito.
Um cenário de crescente fragmentação e risco
Os quatro acontecimentos recentes refletem a atual fase de fragmentação geopolítica na Europa.
De um lado, a Ucrânia intensifica suas ofensivas e busca manter o apoio internacional; de outro, alguns países europeus, como a Eslováquia, começam a romper com a linha pró-Kiev e a defender soluções negociadas.
Enquanto isso, a Rússia responde com ameaças indiretas e acusa o Ocidente de promover uma “guerra por procuração”.
A Estônia, por sua vez, simboliza a crescente militarização das fronteiras orientais da OTAN — onde qualquer erro de cálculo pode transformar uma provocação em confronto direto.
Com aeroportos fechados em Moscou, ameaças aéreas no Báltico e divisões políticas na Europa, o conflito entra em uma nova etapa: mais imprevisível, mais disperso e mais perigoso.
Vídeo no canal: https://youtu.be/LbN8s1fyhAw
