Em meio ao prolongado conflito entre Rússia e Ucrânia, que já ultrapassa três anos e meio, a crise energética na Rússia intensifica-se, especialmente nas regiões próximas às zonas de combate e na Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. A Ucrânia vem ampliando seus ataques com drones a refinarias russas, estações de bombeamento e infraestrutura energética, causando uma queda significativa na produção e distribuição de combustíveis no território russo.
Como consequência, a Rússia decidiu suspender as exportações de combustíveis, incluindo gasolina e óleo diesel, até o final de 2025. Esta medida representa uma tentativa de preservar o estoque interno diante da escassez provocada pelos ataques ucranianos, que já impactaram cerca de 13% da capacidade produtiva do país. A decisão, embora necessária para garantir o abastecimento doméstico, reflete uma virada estratégica que pode afetar a economia russa, pois as exportações de combustíveis são uma importante fonte de receita para o governo.
Na Crimeia, a situação é particularmente crítica: cerca de metade das bombas da península estão fora de operação devido à falta de combustível, o que tem provocado longas filas em postos e racionamento rigoroso. Em algumas localidades, a venda de gasolina é controlada por cupons ou cartões especiais, e em outras, chegou-se a paralisar completamente as vendas ao público. Os preços nos postos dispararam significativamente, com aumento superior a 30%, o que gera preocupação sobre o potencial crescimento do mercado paralelo e especulação.
Em outras regiões da Rússia, principalmente na Sibéria e no Extremo Oriente, as dificuldades de abastecimento também são evidentes, com relatos de filas e altos custos para os consumidores. A crise coincide com o aumento do uso de veículos e viagens rodoviárias durante o verão do Hemisfério Norte, elevando a demanda por combustível e agravando a situação.
Os ataques coordenados da Ucrânia têm explorado a vulnerabilidade das refinarias e cadeias logísticas russas, visando reduzir a capacidade de sustentação do esforço de guerra do Kremlin. O cenário aponta para um desafio crescente para Moscou, que precisa equilibrar o fornecimento interno com a necessidade de manter receita e apoio externo ao conflito.
Este quadro evidencia que a guerra, além do impacto militar direto, tem causado profundas repercussões econômicas e sociais, especialmente no setor energético e na vida cotidiana das populações afetadas.
Vídeo no canal: https://youtu.be/MDGvtv8WY6A
